Excerto de tradução/adaptação de conto original de ficção-científica escrito em Língua Inglesa.

Texto de Partida

I – RATTIE STREET

The hole-filled rotten wooden boards did a poorer job blocking the sun than they did blocking the windows. The warmth of the sun hitting her face woke her up in a mood; she sat up and sighed, looking over at the alarm clock. The old, analogue piece of junk had not rung yet again. She slapped it and it fell to the floor with a deafened rattling. She sighed again and put on her boots, noticing that the soles were falling apart – ‘I really ought to scavenge new ones sometimes, probably during the next battery run, because if the goddamned clock fails me again, I’ll be so very fired’ she mused. 

No job means no corn and no corn means no roof over her head, she just wished she had a little bit more corn left; and she chuckled to herself whilst imagining her landlord diving into a rusty bathtub full o’ corn. But whatever; she shrugged while getting up and smacked the dust out of her jeans, half hoping that they will not be falling apart as well anytime soon, as she would rather not go scavenging in her panties. Especially since they are as holed up as those boards over yonder. She wondered when Mr. Bites would fix them as she must have filed the complaint aeons ago. What a bother.

No matter. She downed a glass of stale water and stepped outside, taking in a breath of fresh radioactive fallout. Ah, a brand-new day.

‘Gut murnin’ Evie,’ greeted a rasping voice.

She looked over to her left, shielding her eyes from the low-hanging sun, still rising and still tinting the world in orange. ‘Good morning, Mrs. Knackers. How are you doing?’

‘Ya speak so fancey Evie,’ she said as she suckled on her black breakfast popsicle, rocking back and forth on her creaking rocking chair, ‘I donna ken wer ya lurn corn-hogger speak,’

She smiled and nodded. She was old, toothless and malnourished, the poor thing. 

‘It is indeed a miracle, dear Mrs. Knackers. Buh I pays me rent in corn dae it nawt?’

‘Aye aye Evie, wot a fin gurl ya become’ and back to suckling she went. Her slurping woke her off her half-awake daze and she suddenly remembered she had to sprint, and she had to sprint fast.

As Evie ran through the battered paths, her right boot started rubbing against the back of her heel, her socks must have had a hole and she could feel the blister getting angrier and angrier. She slowed down, looking around the neighbourhood while maintaining a steady pace. It was not a dangerous street at all, but still she walked briskly, despite her heel stinging harder with every step. It was not that she was late, or that she was afraid she would get jumped, but she could never linger long in that particular street. It used to have a proper name, Evie was sure, but now other folk called it Rattie Street. For Evie, it was indeed full of vermin.

Texto de Chegada

I – RUA DO RATO

As tábuas de madeira estavam podres e cheias de buracos e não tapavam nem as janelas, quanto mais o sol – o calor batia-lhe no rosto e fez com que acordasse de mau humor. Sentou-se e suspirou, olhando de relance para o despertador. Era um bocado de lixo velho e analógico e não tinha tocado outra vez; ela bateu-lhe e ele caiu no chão com um barulho surdo. Suspirou de novo e calçou as botas, notando que as solas estavam a começar a cair aos bocados, «devia mesmo procurar umas novas, provavelmente da próxima vez que for à procura de pilhas, porque se este relógio maldito me falha de novo, estou tão despedida…» pensou para si mesma.

Sem emprego não há milho, e sem milho não há teto, desejou ter só um pouco mais de milho enquanto se riu para si mesma ao imaginar o seu senhorio a mergulhar numa banheira enferrujada e cheia de milho. Mas tanto lhe fazia. Encolheu os ombros e levantou-se, batendo nas calças de ganga para tirar o pó, na esperança de que elas não se desintegrassem também em breve, já que não lhe apetecia andar a vasculhar em cuecas. Especialmente porque as cuecas têm tantos buracos como as tábuas nas janelas. Perguntou-se quando seria que o Sr. Bites as iria arranjar, já que ela já se tinha queixado faz tempo. Que chatice.

Não importava. Bebeu um copo de água estagnada e saiu para a rua, inspirando uma precipitação radioativa fresquinha. Ah, um dia novinho em folha.

– Ore bo-dia Evie, – disse uma voz áspera.

Olhou para a esquerda, protegendo os olhos do sol baixo, ainda a nascer e ainda a pintar o mundo de uns tons alaranjados. – Muito bom dia, Sra. Knackers. Como está hoje?

– Come fales bêm, Evie, – disse ela enquanto sorvia o seu gelado preto de pequeno-almoço, balançando para a frente e para trás na sua cadeira de balouço a ranger por todos os lados. – Na-sei onde fostes saber falar que nem um glutão de milhe.

A Evie sorriu e acenou com a cabeça. Era uma velhota desdentada e subnutrida, a pobrezinha.

– É de facto um milagre, cara Sra. Knackers. Mas dize-me-lá que na-pague a renda em milhe?

– Si-si Evie, que boa menine te tornastes – e voltou a sorver o seu gelado, tão alto que acordou a Evie do seu torpor e a lembrou que ela tinha de correr, e tinha de correr bem rápido.

Enquanto a Evie corria pelos caminhos de cabra, a sua bota direita começou a cortar-lhe o calcanhar – as suas meias deviam ter um buraco, e ela podia sentir a bolha a ficar cada vez maior, e mais zangada. Abrandou, olhando em volta, observando o bairro, mantendo um ritmo constante. Não era uma rua nada perigosa, mas mesmo assim ela caminhava rapidamente, apesar de o calcanhar arder mais a cada passo. Não era o facto de estar atrasada, nem o medo de ser assaltada, mas nunca conseguia ficar muito tempo naquela rua em particular. Devia ter tido um nome de rua outrora, disso Evie tinha a certeza, mas agora as pessoas chamavam-lhe a Rua do Rato. Para Evie, a rua estava de facto cheia de vermes.